Iniciativa desenvolvida pela Inovar Ambiental em escolas de Belo Horizonte e Santa Luzia transforma conteúdo de Ciências em ação prática de educação ambiental

Mais de 300 quilos de resíduos eletrônicos já foram recolhidos em uma iniciativa que transforma estudantes em agentes de conscientização ambiental dentro e fora das escolas. Desenvolvido pela Inovar Ambiental em parceria com instituições de ensino de Belo Horizonte e Santa Luzia, o projeto utiliza as aulas de Ciências como ponto de partida para ensinar alunos e famílias sobre a importância da destinação correta de equipamentos eletrônicos sem uso.

A iniciativa surgiu a partir de uma proposta da bióloga e professora de Ciências Caroline Brunelle , que identificou no conteúdo curricular do 7º ano uma oportunidade para aproximar os estudantes de um problema presente no cotidiano: o que fazer com aparelhos eletrônicos que deixaram de ser utilizados.

“O conteúdo aborda os resíduos relacionados aos novos materiais, à tecnologia e à automação. Identifiquei  uma oportunidade de trabalhar esse tema de uma forma mais prática, para que os alunos entendessem para onde vai o resíduo quando fazemos a destinação correta e quais são os impactos quando isso não acontece”, explica Caroline.

Batizado de Projeto Destinação de Resíduos Eletrônicos, o trabalho começou há cerca de um ano no Colégio Máximus, em Santa Luzia, e neste ano passou a ser realizado também no Colégio Noeme Campos, no bairro Tupi, em Belo Horizonte.

A dinâmica começa em sala de aula, com a abordagem do conteúdo previsto para a série. Depois, a Inovar Ambiental participa de uma palestra com os estudantes, apresentando, de maneira prática e acessível, os caminhos para a destinação adequada dos resíduos eletrônicos e os impactos ambientais provocados pelo descarte incorreto.

Na sequência, a empresa disponibiliza coletores nas escolas por aproximadamente um mês. É quando o projeto ganha uma dimensão maior: os estudantes passam a mobilizar colegas, professores, funcionários, familiares e moradores das comunidades próximas para reunir equipamentos eletrônicos que estão sem uso.

Embora a atividade seja inicialmente trabalhada com uma turma de aproximadamente 30 alunos do 7º ano, a mobilização alcança toda a comunidade escolar. Em uma das escolas, por exemplo, são cerca de 400 alunos envolvidos indiretamente na ação.

“Quando eles iniciam o projeto, toda a comunidade escolar é envolvida. Eles vão às outras turmas, conversam com o administrativo, convidam toda a escola a participar e levam a informação para as famílias. Os estudantes acabam se tornando multiplicadores”, conta Caroline.

Conhecimento que chega às famílias

Para a professora, um dos principais méritos da iniciativa é tratar de uma questão que ainda gera dúvidas entre os adultos: onde descartar um eletrônico, como fazer isso e se existe algum custo envolvido. “Em conversa  com a Inovar, concluí que muitos de nós erramos por falta de conhecimento. Onde destinar? Tem que pagar? O que fazer? Quando o aluno entende que existe uma forma correta de fazer isso, ele consegue levar essa informação para dentro de casa”, afirma.

O resultado aparece nos coletores, mas também no comportamento dos estudantes. Segundo a professora, eles se envolvem inclusive por meio de uma espécie de competição saudável para descobrir quem consegue reunir mais resíduos.

Para Yuri Elias, Biólogo e gerente da Inovar Ambiental, o volume recolhido mostra a capacidade que uma ação realizada dentro da escola tem de alcançar um público muito maior. “Os mais de 300 quilos recolhidos mostram que uma ação de educação ambiental pode ultrapassar os muros da escola. Quando o estudante entende o impacto do descarte incorreto e leva essa informação para casa, ele mobiliza a família e amplia o alcance da iniciativa. O objetivo não é apenas recolher resíduos, mas criar uma mudança de comportamento que possa permanecer no dia a dia dessas pessoas”, afirma.

Do problema ambiental à oportunidade

Além dos impactos ambientais provocados pelo descarte inadequado, o projeto também apresenta aos estudantes uma perspectiva mais ampla sobre os resíduos. A proposta é mostrar que aquilo que muitas vezes é considerado lixo pode possuir valor e retornar à cadeia produtiva por meio da reciclagem e de processos adequados de tratamento e destinação.

Para Caroline, abordar a sustentabilidade apenas pelo viés ambiental pode não ser suficiente para despertar o interesse dos jovens. Por isso, as atividades também discutem os aspectos sociais e econômicos relacionados aos resíduos. “Quando trabalhamos o social, o econômico e o ambiental juntos, torna-se interessante para eles e eles querem participar”, explica.

A abordagem está alinhada ao conceito de economia circular, que busca reduzir o desperdício e manter materiais e produtos em circulação pelo maior tempo possível, evitando assim impactos ambientais através da extração de recursos naturais. No caso dos resíduos eletrônicos, a destinação adequada permite que materiais sejam recuperados e reaproveitados, além de evitar que componentes potencialmente prejudiciais ao meio ambiente sejam descartados de maneira irregular.

“Assim, para que tenhamos uma sensibilização maior às causas e às consequências ambientais que o descarte incorreto de resíduos causa, é fundamental que a informação chegue até as pessoas. E, sem dúvidas, por meio das crianças e dos adolescentes, potencializa-se ainda mais a mudança de hábitos nas casas e na comunidade”, finaliza Yuri.


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